c a p i t a n i a
Terça-feira, Novembro 16, 2004
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Há algum tempo o ciclo se fechou. Mais exatamente quando do aniversário de um ano da morte da Carol, minha ex-namorada. Desde esse dia, escrever aqui já não é a mesma coisa, nem é feito com o mesmo ânimo ou a mesma disposição.
Foram quase dois anos, e isso é louvável. Foram mais de doze mil e quinhentas visitas, sem que houvesse qualquer esforço de propaganda para um site sem maiores atrativos. Foram todas as palavras - repetidas à exaustão algumas delas - que povoavam a minha cabeça. E foram pessoas, vidas; amizades, alegrias, tristezas, choros, risos... Mas (porque sempre há um mas, você sabe) as coisas mudam. E mudaram. Eu mudei. E não quero mais esse endereço, esse template, esses enfeites, essa letra, essas cores. Não é desprezo. É só uma indisposição com isso tudo aqui que um dia já foi confortável, e que agora só me oprime.
E, sabe?, eu espero que isso continue no próximo. Sim, porque há um próximo. Eu preciso escrever. Descobri essa minha necessidade quando comecei esse blog. Escrevendo - mesmo que não tão bem - digo o que preciso, sem ter que me justificar, sem ter que me explicar: quem entende, entende; quem não entende, paciência. Montei outro blog, outro espaço. Mais aberto, mais claro, mais condizente com o que me pareço hoje (sem maiores exageros, é claro).
A Box. Uma caixa. Não é qualquer, mas não se pretende específica. Não será sempre tão recheada quanto foi esse meu Capitania, guardando apenas aquilo que mereça nota.
Tem desenho feito pela Elisa (minha amiga de todas as horas, apesar dessas horas, na maior parte do tempo, serem disjuntas) que vai chegar, no seu tempo, por enquanto apresento meu novo site com um layout provisório, apenas porque eu preciso desse espaço:
Estão todos convidados - como sempre aconteceu aqui (por mais que nos últimos tempos as coisas tenham degringolado um pouco).
Enfim, é isso. Meu último post aqui. Fico dividido entre a alegria e a expectativa de um novo espaço, mas, ao mesmo tempo, manco, sentindo como se uma parte ficasse pra trás. Pode ser só impressão. E tem tanta coisa pra acontecer ainda... Vão lá: A Box.
Thiago, em 16 de Novembro de 2004.
------| Thiago | 2:54 PM | |
Sábado, Novembro 06, 2004
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NÃO SEI DE MAIS NADA...
Tá, então fica assim: eu to triste. Por tanta coisa. E nem posso mais contar aqui. Isso é absurdo.
Mas, aê, relaxar, brô... só.
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------| Thiago | 1:06 AM | |
Quinta-feira, Novembro 04, 2004
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GRITO MUDO*
Aplausos são a única coisa que me ocorre fazer no momento. Aplaudir a estupidez humana que - como outros já notaram antes de mim - não cansa de se superar.
A estupidez que deu a um fanático acéfalo e a uma corja de fanáticos (que comandam aquele, como a uma marionete macabra) "four more years" de mandos e desmandos, agravados pelo fato temerário de aquele país ser a maior potência militar do planeta de todos os tempos. Mas as "qualidades morais" de George W. Bush são, para a maioria da população que sufragou nesta última terça-feira, motivo real, justo, indelével, para que se lhe sejam concedidos mais quatro anos de governo.
O Partido Republicano tem agora, à sua inteira disposição, toda a máquina governamental americana. Tem a maioria dos juízes na Suprema Corte (que é, de fato, o lugar onde tudo nos Estados Unidos se define; absolutamente tudo); tem a maioria dos representantes na Câmara e no Senado Federal e, claro, a possibilidade de fincar raízes em todas as áreas da burocracia que rege os acontecimentos dentro e fora do país.
E, pensando bem, o que se pode esperar de um povo que há muito pouco tempo escolheu para governador de seu estado mais rico (a quarta economia mundial, se a Califórnia, de uma hora para outra, resolvesse tornar-se independente) um ex-ator austríaco (se bem que nem tão "ex", nem tão ator e nem tão austríaco), cheio de músculos e dono de um belo sorriso? E, entenda, o problema não são os adjetivos patentes, mas as "qualidades" latentes desse homem (nem sei escrever seu nome direito) que povoaram a imaginação do americano-comum durante tantos anos e que por isso, habilitou-o a almejar (e conseguir) esse cargo...
Aplausos. É só o que me resta, já que não posso fazer muito mais além de esperar que o fundo do poço não seja nem tão longe e nem tão escuro.
Tenho medo de agora abrir sites de pessoas que são inteligentes, escritores de festejado talento, e ler referências à favor de toda essa pantomima. Tenho medo de saber que eles acreditam na retidão desse raciocínio que nos levou a essa situação absurda.
Eleições não funcionam? Da maneira como acontece hoje, nisso que se transformaram - nesse deturpamento quase inacreditável da idéia primeira de democracia -, não. Democracia funciona? Sim, mas hoje tem gente demais, poderosa demais, agindo (porque agem, não me venha com desculpas - agem) no sentido de desbaratinar-lhe os mecanismos que deveriam dar ao povo todo o poder de escolher seu destino.
É triste. É preocupante. Desestimulante. E serão "four more years" - pelo menos (mas não serão tão poucos, você sabe. Tanto trabalho para tão mixo resultado? Claro que não...).
* Porque há aqueles que gritam mais forte, sem o menor esforço, e fazem muito mais barulho.
------| Thiago | 12:55 AM | |
Quarta-feira, Novembro 03, 2004
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APONTAMENTOS
Descobri há pouco tempo que gosto de desafios. E que costumo fazer o possível para vencê-los, principalmente quando eu mesmo me imponho algum. Quis escrever algo que unisse Julio Cortázar, Los Hermanos, Marilyn Manson e fim de feriado.
Por um minuto - que foi megalomaníaco; perdão pelo uso da sua expressão - me vi ajoelhado no chão da sala, escrevendo em grandes cartolinas trechos de contos de Cortázar. Pensei no "Continuidade dos Parques", que brinca com a fantasia de quem lê, ao se dar conta de que o narrador está previamente morto quando começa a contar a história. História essa que passeia por caminhos obscuros de uma mente arguta; desenhando bosques de carvalhos, cheios de significados e dor daquele que deixou de lado seu romance. E ao mesmo tempo em que me vejo ajoelhado no chão da sala, penso na impossibilidade de uma cartolina para o momento. Aparentemente desisto, mas minha cabeça continua pensando nisso.
Sobrepõe-se a visão de um homem andrógeno (é o que dizem daqueles que pretendem não aparentar gênero algum) maquiado com cores fortes (branco) ou com tinta preta - nenhuma cor - gritando, acompanhado de guitarras estridentes e mais pessoas fortemente pintadas, montadas em figuras semelhantes a cavalos. Desaparece o primeiro pensamento - cartolinas viram pó - e o ridículo a qual se prestam certos indivíduos me toma a mente. Mais estapafúrdia ainda, é a idéia de que jovens se deixam levar por essas figuras e começam a se furar e andar vestidos de preto por aí. Eu ando a maior parte do tempo de preto. Porque acho preto bonito. O fato de ele ser a ausência de todo o resto... Nisso está implícita uma poesia única.
Mas isso acaba. Vêm os comerciais. Eu venho ligar o computador. Quando volto, está na tela uma moça que tem belos seios (contidos por uma blusa que pouco pode contra tudo aquilo), rindo, e junto dela um rapaz negro, com os cabelos grandes, no estilo anos 70 - como é a moda (de novo). Um minuto se passa e entra no ar, já pelo meio, um vídeo dos Los Hermanos. "O último romance". Amarante cantando, se não me engano. Camelo ao lado, balançando pra lá e pra cá - levantando a cabeça aos gritos, nos momentos de maior explosão musical. E a platéia. Muita gente. A maioria delas acompanhando o andamento da música com os braços estendidos para o ar, batendo palmas - exatamente como o trio de metais, no palco. As mãos - eis o ponto - fechadas, como se quisessem socar o próprio ar. Imagino qual a força daquelas palavras nas cabeças que estão ali, comandando braços que se erguem e estapeiam o ar. Qual é o poder que tem uma banda - descoberta recente de um público afoito por novidades consistentes - sobre essas pessoas? Isso é perigoso. E deve dar espasmos de gozo no baixista que não move nada além dos dedos (dois na mão direita, quatro na mão esquerda), quando ele chega em casa, deita na cama, e imagina a vida torpe e triste que levaria se aquela música, que o público que agora os venera, não fosse tão ruim a ponto de ninguém se interessar por todo o resto.
Fim de feriado que é dos outros. Tanto o feriado, quanto seu fim. Amanhã eu não trabalho. Mas vou à faculdade. Esperando encontrar por lá algo que me falta aqui. Sei que não vou achar. E seguirei procurando. Sem achar. Isso é um ciclo. É o que nos, não, é o que me mantém. Não digo que me mantenha vivo - pra isso não é preciso muito esforço - mas me põe um objetivo à frente. Não quero alcançá-lo tão cedo.
------| Thiago | 3:50 AM | |
Segunda-feira, Novembro 01, 2004
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BIP-BIP
Sonho de consumo todo mundo tem - porque, você sabe, hoje em dia ninguém mais tenta fugir dessa história de consumismo, as pessoas, algumas, apenas camuflam certos interesses. Portanto, tenho o meu. Os meus. Mas um em especial.
Desde quando comecei a dirigir, pelos idos de 2002, sempre nutri uma inveja vergonhosa e indisfarçável de um dado tipo de motorista. Não tenho pudores em admitir isso: inveja, da boa. A metros e metros de distância do seu carro, o companheiro de asfalto fazia soar, assim que apertava o botão de seu chaveiro, um barulho estridente e longínquo que sinalizava para o fato de que todas as trancas e portas estariam abertas, esperando para que seu dono apenas abolete ali sua digníssima bunda. Um som bonitinho toda vida, que era a chave de entrada para mais alguns devaneios sobre carros, barulhos, portas trancadas automaticamente, vidros elétricos...
Fiz disso meu ideal de consumo: um carro, que nem precisava ser dos mais modernos nem nada, mas que tivesse a porcaria do alarme. Só pra que quando eu chegasse perto - mas não muito perto - eu pudesse apertar o controle no chaveiro e o carro me recebesse de braços, digo, de portas abertas.
Qual não foi a minha surpresa ao saber que o carro novo - que vem depois do carro antigo, que foi para saldar dívidas e coisa e tal - é equipado com vidros elétricos, ar-condicionado, travas elétricas, tem quatro portas e... e...
tem a porra do bip-bip! (É um Uno, não pense que adquirimos um desses esportivos conversíveis.)
O fato é que um sonho se realiza. *olhos brilhando* Mas nem vou fazer muita festa, vai que a coisa dá pra trás. Esperemos. Aguardemos. Biparei, biparei - e serei uma pessoa melhor.
------| Thiago | 3:46 AM | |
Domingo, Outubro 31, 2004
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DOS SÁBADOS SOLITÁRIOS
O foco de luz estava batendo bem nos seus olhos. Incomodava. Mas não era por isso que estragaria aquele momento. Cantava divinamente, sentada ao piano - acompanhada de mais três amigos de muito tempo: um na bateria, outro no violão e o terceiro, seu irmão, no contra-baixo. Os câmeras deliciavam-se com a plasticidade que ela emprestava aos seus vídeos, e não a deixavam em paz. Além da luz, homens, impedindo-a de ver o público sentado logo na sua frente.
Sentado no sofá, controle remoto na mão, copo d'água noutra, vai passando por todos os canais. É tarde, e o que poderia passar de minimamente interessante na TV já acabou. Desiste. Vai a banheiro, assobiando baixo uma canção italiana pra não acordar ninguém. Quando volta toma a decisão de que aquela seria a última zapeada. Pega o controle e começa. Em três canais, evangélicos gritam histericamente; noutros dois, padres católicos rezam missas sem batina ou hóstias. Na TV, os evangélicos têm se saído melhor. De repente, lá está ela. Cabelos negros, lábios cheios, pele alva... cantando maravilhosamente. No mesmo instante lembra-se do que sentiu quando se apaixonou pela última vez - e percebe que a formigação das pernas já começou. Disso pra uma declaração diante da TV, falta muito pouco.
Troca de canal.
No palco, o show termina. Instrumentos desligados, autógrafos dados, beijos e abraços, a moça volta pra casa. No caminho passa pela praça onde, anos atrás, experimentou seu primeiro beijo. O motorista insiste para que ela vá direto pra casa, pra não dar confusão. Ao arrancar a flor que nascera embaixo do banco, dá-se por satisfeita. Segue, sozinha. E quando chega em casa, as televisões estão todas fora do ar. Senta na cama, a flor ao lado, e dorme. Triste por tudo, sem vislumbrar solução possível. E amanhã, outro show.
------| Thiago | 4:58 AM | |
Sexta-feira, Outubro 29, 2004
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ALMA DO NEGÓCIO
7etc. O tema da semana é filme. Dá uma chegada por lá.
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Escrevo, escrevo, escrevo, perto do final, páro. Quando volto a escrever, gostaria de saber como teria sido o primeiro fim. Com certeza, teria sido diferente do que lá está.
Mas leiam, leiam...
------| Thiago | 1:25 PM | |
Terça-feira, Outubro 26, 2004
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ENQUANTO EU PUDER SORRIR...
Me aquece, entende? É terno lembrar de como foi, e eu nem sei se isso é tão-somente invencionice da minha cabeça - sei apenas que é terno lembrar. Porque, porque... porque ela estava ali querendo me ouvir, juntar peças de um quebra-cabeça que mora longe e do qual lêem-se apenas algumas palavras mal e porcamente jogadas num blog ou em telas de "mensageiros eletrônicos" - que são a coisa mais surreal, desde, desde... eu sou péssimo com essas alegorias, não sei porque ainda insisto. Prometi que o texto teria que ser bonito - uma promessa estranha: porque eu não sei bem como ou o que se escreve pra dizer que um olhar, um simples olhar, tem sido responsável por ondas calidamente balsâmicas que tomam de assalto minha mente acostumada ao frio. E não é um olhar desses que você imagina. É o olhar de uma amiga, de uma menina, e não me importa que tenha sido por poucos segundos - foram. Ela estava ali, realmente querendo me ouvir, tentar me entender, se importando com o que eu dizia. Não é a única, claro que não, mas foi diferente. E lembrar me aquece, me fez sorrir na primeira vez que relembrei - e ainda faz. Porque, pense, não tem nada de especial, olhares assim estão por aí o tempo todo, mas não pra mim.
É um parágrafo egoísta. Mas é, também, sobre a
Leda e sobre os olhos de menina árabe que ela tem. É sobre um Noitão - e não importa se os filmes foram bons ou não. E é sobre mim. Como sempre, aliás.
------| Thiago | 10:25 PM | |